16 Novembro 2009

Carta aberta de Cesare Battisti a Lula e ao Povo Brasileiro


CARTA ABERTA

AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR

LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA

PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA

AO POVO BRASILEIRO



“Trinta anos mudam muitas coisas na vida dos homens, e às vezes fazem uma vida toda”. (O homem em revolta - Albert Camus)

Se olharmos um pouco nosso passado a partir de um ponto de vista histórico, quantos entre nós, podem sinceramente dizer que nunca desejou afirmar a própria humanidade, de desenvolvê-la em todos os seus aspectos em uma ampla liberdade. Poucos. Pouquíssimos são os homens e mulheres de minha geração que não sonharam com um mundo diferente, mais justo.

Entretanto, frequentemente, por pura curiosidade ou circunstâncias, somente alguns decidiram lançar-se na luta, sacrificando a própria vida.

A minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as relações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muito exilados.

Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos. Não tudo! Os sonhos continuam!

Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a humilhação de ser tratado de criminoso comum.

Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabem qual outro impedimento à extradição.

Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.

E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em “GREVE DE FOME TOTAL”, com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.

Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.

Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma forma agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que têm a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!

Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão. Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade.

Entrego minha vida nas mãos de Vossa Excelência e do Povo Brasileiro.

Brasília, 13 de novembro de 2009

Cesare Battisti

30 Outubro 2009

Sede de organização anarquista no Sul do Brasil é invadida pela polícia


[A sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) foi invadida por dezenas de policiais ontem (29), por volta das 16 horas. A ação policial, sob um mandado de busca e captura, visava recolher material de propaganda contra a governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius, que decidiu mover uma ação por injúria, calúnia e difamação contra ativistas da organização anarquista. No local da FAG, na rua Lopo Gonçalves, Cidade Baixa, os policiais apreenderam vários materiais de propaganda, documentos e um computador. Integrantes da FAG prestaram depoimentos na 17ª Delegacia Policial e foram liberados. A governadora do Rio Grande do Sul é acusada de estar envolvida em uma série de escândalos de corrupção que atingiu o seu governo e resultou no afastamento de quatro secretários estaduais. Contudo, no dia 20 de outubro, a Assembléia Legislativa gaúcha aprovou relatório de comissão especial que propôs arquivar processo de impeachment contra a governadora. A seguir três comunicados públicos da FAG.]

1º Comunicado

Neste exato momento – quinta-feira, 29 de outubro de 2009, a partir das 16 horas - a Polícia Civil do RS sob o comando da governadora Yeda Crusius promove diligência na sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG). O mandado de segurança do governo busca apreender material de propaganda política contra o governo acusado de corrupção. Os cartazes abordam o empréstimo junto ao Banco Mundial e o assassinato do sem-terra Eltom Brum. Este ato é pura provocação do Executivo gaúcho, atravessado por atos de corrupção e situações até hoje sem explicação, como a morte de Marcelo Cavalcante em fevereiro desse ano. Convocamos as forças vivas da esquerda gaúcha para reagirmos de forma unificada contra mais esse desmando.

Solidariamente,
Federação Anarquista Gaúcha (FAG)

2º Comunicado

Material de propaganda e CPU da FAG apreendidos

Nesse momento, quinta-feira, 29 de outubro, 2009, às 17h31, temos compas respondendo na 17ª DP, localizada na rua Voluntários da Pátria, 1500, perto da Rodoviária de Porto Alegre. A Polícia Civil apreendeu material impresso, chapas de cartazes e inclusive a CPU do computador da sede. Isso se trata de uma conspiração oficial para atacar uma das forças da esquerda não parlamentar e com base social real no RS!

Era de se esperar uma reação como essa, em função da FAG sempre haver atuado com modéstia mas tenacidade, sendo das mais aguerridas em todas as circunstâncias na defesa dos interesses e objetivos estratégicos do povo gaúcho. Vamos fazer uma denúncia pública e provar para as classes oprimidas do RS a natureza desse ataque vil sob ordem de um governo acusado dos mais graves crimes.

Não tá morto quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG)

3º Comunicado

Toda a solidariedade para com a FAG! Antes a repressão foi contra o sem terra Eltom, hoje é na sede da FAG, amanhã quem será?

A repressão do governo Yeda foi além do esperado. Dois compas foram processados e responderam a processo de parte de um governo acusado de dezenas de crimes, e alvo de investigações federais em seqüência. Até a repressão do Estado liberal-burguês vê a esta gestão como alegando investigar uma propaganda contra a sua gestão, a polícia civil do RS apreendeu documentos internos da Federação Anarquista Gaúcha, intimou
aqueles que mesmo prestando apenas a sua solidariedade constavam de registros da página de internet da organização. Não bastasse a apreensão da CPU e do backup do computador, levaram documentos internos (como ata de reuniões), material de propaganda público e até os resíduos que estavam na lixeira da sede.

Imediatamente a solidariedade de classe se fez notar, repercutindo no Rio Grande do Sul, por todo o Brasil, na América Latina e, a partir da Espanha, por organizações anarquistas e movimentos populares de todo o mundo.

Pedimos a solidariedade de companheiras e companheiros para difundirem e
traduzirem esta três notas em seqüência.

Solidariamente,
Federação Anarquista Gaúcha (FAG)
secretariafag@vermelhoenegro.org
www.vermelhoenegro.org/fag

15 Outubro 2009

Jovem libertário morre atropelado por um carro


“...que cada lágrima nossa caída seja um carro queimado nas ruas...”


Com tristeza e raiva relatamos que Oiran Formiga, jovem libertário que iria completar 20 anos no próximo mês, membro do Coletivo Cosmopolita AnarcoPunk, Movimento Passe Livre-Natal, morreu neste sábado (10) atropelado por trás por um carro quando voltava de bicicleta da cidade de Campina Grande (PB) para Natal (RN), depois de participar de um evento anti-autoritário naquela cidade paraibana. Ele morreu no local do acidente, no acostamento da BR-101. O condutor do carro não parou para prestar socorro. Ele foi enterrado dias atrás, num velório/enterro não-cristão, como desejava.

Morreu nosso companheiro, irmão, amigo...

É com imenso pesar que tento escrever essas linhas. Ontem fui dormir sonhando com todo um filme que marcou minha vida, a história de amizade e militância de Bruno e Oiran, ou de um gato e uma formiga, como gostamos de sermos chamados no meio punk!

Quem era aquele jovem que mais escutava do que falava? Quando o conheci, estávamos juntos tentando achar uma solução pro transporte dessa cidade que leva uma vida sobre rodas. De lá pra cá, muita coisa aconteceu, fomos ficando cada vez mais amigos, e aquele jovem calado começou a se soltar e nos encher de alegria com sua energia contagiante!

Oiran, companheiro de todas as horas... Falou em ação ele estava no meio, o cara mais de luta que eu já vi, juntos, tocamos fogo nos nossos corações, deixamos a anarquia explodir nas ruas!

Passamos por várias situações, e não queríamos parar, o movimento anarcopunk que conhecemos nas ruínas, viveu e viverá, porque a formiga nos levou ao formigueiro!

Nós, punx, fascinados com a bicicleta, com a autonomia que ela pode nos dar, pedalamos com coragem nesse mundo civilizado e doentio; com Oiran não foi diferente, ele foi além, e quis romper as fronteiras! Fomos pra Campina Grande, lá tomamos a cidade a falar sobre a crueldade para com os animais, fomos para lá gritar contra a vaquejada.

Formiga me disse o quanto estava maravilhado com a bike e que não via a hora de voltar pedalando a favor do vento para chegar mais rápido em casa, "pedale, e rápido, e morra jovem", foi uma frase que escutei certa vez. Oiran nos diria isso sorrindo e é essa a imagem que quero guardar, da sua felicidade e do seu abraço de amizade.

Até que a morte nos encontre amigo, nunca te esquecerei!

Do teu amigo, irmão e companheiro...

G@to Punk – Natal, Rio Grande do Norte.

01 Outubro 2009

24 Setembro 2009

Os squatters de Berlim em contagem decrescente




Depois da queda do Muro houve quase uma centena de ocupações em Berlim. Berço do movimento alternativo, estas casas ocupadas tornaram-se parte integrante da identidade da capital. Mas 20 anos mais tarde, o que se mantém realmente desta Berlim alternativa?

Concertos de solidariedade, flyers, cartazes, eventos... os ocupas do 183 Brunnenstrasse em Berlim, tudo fazem a fim de manter esta ocupação viva. Mas parece que em vão.

O proprietário está decidido a expulsá-los. Se isso acontecer assinará o fim de um dos últimos locais ocupados na capital alemã.

Squatter ou "ocupação ilegal de propriedade" tem uma longa tradição em Berlim. Já sob o regime comunista da República Democrática Alemã, existiram muitas pessoas a ocuparem casas. Mas seria a queda do Muro que marcaria o início real do fenômeno. "Prédios inteiros foram abandonados", diz Moritz Heusinger, na época um estudante de Direito em Berlim Ocidental. “Uma janela ou uma fechadura às vezes faltava, não havia água canalizada e gás. Mas podia-se perfeitamente lá viver! Muitos como eu fizemos isto mais de seis meses". Como ele, muitos estudantes, artistas e outras pessoas ocuparam casas abandonadas de Berlim Oriental. Em 1991, o número de edifícios ocupados chegou a quase cem.

O governo municipal não esperou muito tempo para reagir. Em 1992, decidiu evacuar todos os locais ocupados na cidade, começando pelos de Mainzerstrasse. Porém, subestimaram o alcance e a determinação dos/das ocupas. O Mainzerstrasse transformou-se num verdadeiro teatro de guerrilha urbana com os tanques militares a enfrentar os coquetéis molotov de punks entrincheirados.

"Isso pode ser um verdadeiro projeto político"

Diante de tal resistência, substituíram rapidamente a estratégia de expulsão pela da "normalização". Moritz Heusinger, tornou-se um advogado, especializado em negociação de contratos entre os proprietários e os ocupas. "Os ocupantes são agrupados numa associação que aluga o prédio inteiro. Pagam um aluguel relativamente baixo e, em troca, o proprietário deixa-os em paz." Os squatters assim, gradualmente, desapareceram para dar lugar a uma vintena de "hausprojekt"; projetos habitacionais. O projeto em questão, "às vezes é apenas viver como uma grande família", disse o jovem advogado com rabo de cavalo. “Mas também pode ser um verdadeiro projeto político.” Assim, os habitantes do Tutenhaus defenderam os direitos dos homossexuais, os punks anarquistas do Köpi puderam organizar protestos anti-capitalistas etc. Estes alojamentos alternativos também são importantes centros culturais. Ateliers, galerias, estúdios de gravação, salas de concertos... aqui os artistas podem trabalhar sem restrições.

"Fechar estes lugares seria dramático, diz Moritz Heusinger. Berlim perderia muito da sua identidade. Sem mencionar a função social que cumprem esses lugares!" Um lugar para dormir barato, cozinhas populares, onde as pessoas podem comer por menos de dois euros. O "Hausprojekte" constitui uma verdadeira rede de apoio social numa cidade com cerca de quinze por cento de desempregados. No entanto, o advogado parece pessimista. "Há um verdadeiro fenômeno de gentrificação [emburguesamento]. Assim apenas os ricos vivem no centro de Berlim.” Enquanto isso, no último squatter, em Berlim, prepara-se a resistência.

"Não cederemos", garante Mano, um residente do 183 Brunnenstrasse. Alternativos contra ricos especuladores imobiliários, a batalha ainda não acabou.

Fonte: lepetitjournal

Armada anarquista se reunirá em Pittsburgh



Vinte líderes dos países mais ricos do mundo irão aterrissar em Pittsburgh na próxima quinta-feira, 24 de setembro, e serão confrontados pelas forças da Marinha Niilista, uma manifestação da miríade de fugitivos da totalidade das relações sociais coercitivas que encontraram refúgio e santuário sobre as águas.

Em nossa análise o G-20 representa a instituição central na orquestração da hegemonia global e seu projeto para invadir os últimos espaços autônomos neste planeta. Reconhecemos os participantes deste encontro como nossos inimigos, e, portanto estamos preparando uma brigada de navios que, velejando sob a bandeira preta, irão bloquear as águas ao redor do centro de convenção David Lawrence no dia de abertura do encontro do G-20.

Enquanto nosso/as companheiro/as resistem contra o G-20 sobre a terra, nas ruas, focaremos nossa resistência sobre as vias navegáveis que são a nossa casa. Assim como toda situação em que o marginalizado confronta o rico e poderoso, a nossa força de barcaças, jangadas, veleiros e embarcações sortidas parecerá um tanto decrépita face aos modernos navios militares norte-americanos. No entanto este é somente o começo de uma longa estratégia de ações a ser realizadas pela Marinha Niilista, como parte de uma insurreição global contra a rede de dominação e terror conhecida hoje em dia como “civilização”.

Além do bloqueio de 24 de setembro, nossa frota irá chamar atenção à luta dos piratas somalianos através das seguintes ações:

1. Começando a semana da Reunião do G-20 em Pittsburgh, as forças navais anarquistas irão atormentar, bloquear e abordar qualquer navio que faça parte da infra-estrutura do carvão mineral que, através da mineração, é responsável pela destruição das montanhas, rios e casas. Não haverá misericórdia com aqueles que lucram com a queima do carvão e tornam o nosso ar ainda mais cancerígeno a cada respiração. Como os piratas somalianos, somos incitados a agir contra aqueles que fazem da nossa comunidade uma zona de sacrifício ambiental. Eles acreditam que não temos poder para pará-los, mas como os piratas, iremos provar o contrário.

2. As forças navais anarquista irão também subir a bordo e atacar qualquer navio cruzeiro que estiver dando festas para os ricos, re-apropriando o total de bens de todos os presentes na festa para investir na restauração do meio ambiente e nas necessidades sociais de moradia. Como os piratas, utilizaremos a ação direta para re-apropriar as riquezas dos ricos, roubadas de nós sob o pretexto de livre comércio.

Estamos levando a cabo essas ações em resposta direta aos atos brutais que as nações do G-20 praticam contra os piratas somalianos. A resposta militar aos piratas demonstra mais uma vez como a proteção do livre comércio é mais importante do que a vida humana, especialmente as vidas daquele/as que não fazem parte das nações do G-20.

Como os piratas, nós nos recusamos a aguardar por soluções políticas enquanto os recursos que poderiam solucionar as necessidades de todos estão entesourados por uns poucos bem abaixo de nosso nariz.

Encorajamos todas as re-apropriações possíveis das riquezas que foram roubadas de nós, todas sob o pretexto do “livre comércio” e do comércio global – o esquema para, às nossas custas, tornar alguns poucos banqueiros ainda mais ricos.

Daremos viagens seguras para todos os membros da tripulação nos navios que tarjamos para a ação. Não lute a favor de nosso opressor mútuo, assim você não terá nada a temer de nós. Reconhecemos que isto é uma guerra. Não estamos fazendo ações para “protestar” ou fazer reivindicações. Agiremos, ainda que modestamente, como parte da luta contra a máquina mortal capitalista multifacetada, sem ilusões sobre a maneira de como iremos ser tratado/as por seus capangas uniformizados. Assim como os somalianos foram brutalizados, e as antigas Utopias Piratas foram demonizadas e exterminadas, não esperamos algo melhor. Mas, não poderemos viver com nós mesmos se não aproveitarmos esta oportunidade de atacar em um mundo onde nossas possibilidades por ações livres diminuem a cada dia. Quando nos encontramos em conflito, estamos lutando por nossas vidas; não haverá pedidos nem mercê.

A Milícia Naval Anarco-Niilista

Tradução > Marcelo Yokoi

19 Setembro 2009

Dia 24 de setembro no Antro

14 Setembro 2009

Ladyfest


Em um fim de semana com ventos de mudança e de verdadeira liberdade de expressão, que foram compensados com o ar que respiramos todos os dias neste país, nesta realidade, ar contaminado pela autoridade e a desigualdade, foi realizado um dos festivais mais transgressores já feitos no país.

Em 15 e 16 de agosto na cidade de Bogotá, foi dada carta branca para a segunda versão do Ladyfest nesta cidade, com mulheres e homens de várias partes do país, com diferentes vidas e diferentes modos de pensar, mas com uma idéia comum, a idéia de libertar as mulheres dos grilhões que diariamente a amarram, acabar com a competição e com essa violência entre gêneros humanos, e pela reconstrução das relações entre mulheres e homens.

Foi um festival cheio de expressões da cultura e da contracultura, de discussões e afinidades, onde vozes femininas e masculinas foram ouvidas em vários tons e num sentimento único, foi um encontro entre os e as responsáveis dessa cultura patriarcal e desse atuar machista que dominaram o mundo por muitos anos, o desenraizamento dos nossos contextos e das nossas vidas.

Compartindo, debatendo, criando, recriando, transformando, confrontando e reafirmando se desenvolveu estes dois dias, agindo e interagindo, sendo conseqüentes com o sentimento de liberdade e anti-sexista, demonstrando que estamos criando a mudança, como foi demonstrado no ano passado no primeiro Ladyfest da Colômbia, bem como foi demonstrado neste ano, em março, no Ladyfest em Barranquilla. Com temáticas diversas, com diferentes pontos de vista e comuns, eles e elas falaram, ouviram, dançaram, cantaram, pensaram e refletiram.

Também neste espaço foram ouvidos diferentes sons de protesto e resistência, foi vista a arte de meninas que criticaram àquelas mulheres que permitem e colaboram com a submissão do gênero feminino, artes que convidavam as meninas e meninos para redefinir suas identidades e a definir posições em relação a situações que diariamente vivemos. Palestras sobre mulheres e política, as mulheres nas prisões, o feminismo, erotismo, gênero, patriarcalismo, breakdance, música, fotografia, desenho, a estação muak, performance das mulheres frívolas, a moralidade na sexualidade, escutando o programa de rádio anarquia para amantes, as horas se passavam, fomos enchendo os corações de belos sentimentos de luta, união, de estilo riot grrrl, de rebeldia e de solidariedade.

Foi definitivamente uma grande experiência para todas e para todos, somos imensamente gratos a todas e todos compitas que nos ajudaram e que participaram ativamente nesta jornada, com energia, com o amor que todas e todos nos regalaram, a todas e todos que viajaram de outros lugares para ir para o festival, as bandas, as palestras, as artes, aos compas de Manizales, aos compas de Cali, aos compas de Medallo, a compa de Barranquilla, ao compa da Venezuela e aos compas de Bogotá! Ao público em geral e, especialmente, o movimento Riot Grrrl que nos dá todas essas vitaminas para criar e realizar estes eventos tão gratificantes.

Seguimos Existindo e Resistindo!

ReXiste Riot Grrrl

http://rexisteriotgrrrl.blogspot.com/

http://www.myspace.com/grrrlzcolombia

rexiste@riotgrrrl.co.uk